Quase nunca falo dessas pessoas, que na verdade, são as que mais chamam minha atenção, mais fazem meu coração pular... Por ciúme. Tenho ciúmes delas e presto homenagens sozinha, lendo sobre.
Eu quase nunca leio sobre eles, pra falar sério. Gosto de mantê-los desconhecidos pra mim, pra meu pequeno mundo /hm!
Vivos, vivas, aqui.
As vezes eu não entendo a minha loucura por Jimi Hendrix. As únicas coisas que eu sei dele é que ele nasceu tocando guitarra /ele dedilhava a vassoura e que era fã do Bob Dylan. As músicas do Jimi nem fazem meu estilo... E mesmo assim, quando vejo algo dele, eu grito. O Jimi tem que se manter uma surpresa eterna pra mim. O Jimi é quase um medalhão. Aquele que você não sabe procedência, não entende os códigos. Mas entende, que algo nele te fascina. E quando as pessoas pedem "posso ver?" e esticam aquelas mãos sujas, você olha com repulsa. E ciúme.Eu tenho ciúmes de você, Jimi. E acho que você é minha alma gêmea, de algum jeito. E meu coração tá disparadasso aqui, doendo o peito.
Porque ele usava um cachecol rosa e blusa laranja, porque ele rasgava os dentes na guitarra e encarnava outra pessoa no palco... Eu o amo.
Tá, parem de falar "mas você ama os Beatles, o que o George Harrison tá fazendo ai?". Certo. Vou dizer: não sei nada do George. Ok, sei que ele morreu em 2001, de câncer de pulmão. Que ele começou a fumar aos 14 anos, que ele foi integrante dos Beatles, que tocava sitar e que aprendeu com Ravi Shankar, que ele tem um filho chamado Dhani, foi casado duas vezes (Pattie Boyd e Olivia), era o mais jovem dos Beatles... Mas o que isso quer dizer sobre ele? Nada, acredito. Mas há alguma coisa no jeito que ele se move e dedilha o sitar que me intriga. E quando ouço-o cantando, tocando, sempre penso "o que essa criança está fazendo nesse bando de adultos?". E George faz meu coração disparar porque não sinto que ele está morto.Porque ele é só uma criança, como poderia morrer?
Tenho que dizer que essa é minha preferida e me peguei lendo muito sobre ela. Clara Bow, pra mim, nasceu em NY, no Brooklyn. De qualquer jeito, eu me pego achando que sou ela. Não por nenhuma semelhança na sua história, nem na aparência /se bem que já falaram que pareço ela, e foi assim que a conheci. É porque, dentro dessas imagens em preto e branco, há uma ruiva de olhos castanhos, que tinha um jeito expressivo demais. Loucura, mesmo. A mãe dela era prostituta ocasional, com problemas mentais. Seu pai era um bêbado, também com esquizofrenia. Ele, além de já ferir Clara sem toca-la, consegui: Estuprou-a quando ela era apenas uma menininha, e seus 15 anos não tiveram comemoração depois disso. Ela então, um dia, escapou de casa e participou de um teste, qual o prêmio era participar de um filme. Ficou em primeiro lugar com louvor, o que levou-a pra Hollywood em um estalo. Com o tempo, decepções, vida... Sua cabeça não aguentou mais, o que levou-a pro hospital psiquiatrico várias vezes. A Clara Bow me fascina demais. Quando ela arregala os olhos em "Wings", quando ela abre a boca e as palavras não saem. Quando ela arruma os cabelos cinzas e arrumas as roupas, cinzas.
Ela é dona de uma beleza óbvia. Beleza antiga e beleza virgem. "Ginger"? Conheci-a simplesmente porque seu nome não é Ginger, e sim Virginia. E essa é uma das únicas coisas que eu sei dela.Pra quem leu o meu post chamado "Sapateado", sabe, como eu, que ela fazia filmes com o famoso Fred Astaire, que pulava com sapatos de salto, fazendo uma música. Tap-tap-tap.
Loira, olhos azuis, dentes incríveis. Isso a gente vê, mesmo sabendo que essas fotos não são coloridas. E que ela é linda, abrimos os olhos pra imaginar.
Loneliness, darkness. Love. Courtney Love. E só. Além de que ele tomava chá de uma erva chamada "Pennyroyal", antiácidos sabor cereja e laxantes. Kurt Donald Cobain, uma pequena lenda. Pra quem já viu as fotos depois do "fim da dor", imagina o que era uma puta depressão. E dor.Pode ser que o George Harrison tenha pra mim eternos 10 anos, mas Donald tem seus eternos 15 anos para apenas meio mundo. Jovem confuso, problemático, loiro, dono dos olhos mais lindos da música. E do grito mais tocante, que nos faz sentir, pelo menos um pouco, o que é e o que sente Kurt Donald Cobain.
Medo. De ser ninguém.
/aquela sindrome "Getúlio Vargas" pra mim também!


Essa nem preciso dizer que não sei quase nada. Ela própria escondeu, trancada por uns 30 anos, em algum apartamento em NY.
Não sei mesmo o que ela tem, no sotaque suéco, na infância pobre, na altura, nos pés tamanho 36, na pose de diva, na magreza, nos lábios finos, na voz grossa, nos olhos enormes.
Ela tem algo de Mata-Hari, ela usa os melhores figurinos, todos os homens a desejavam, ela largou o marido no altar, ela nasceu /quase no mesmo dia que eu. Ela morreu, aos 90 e tantos anos. Ela se escondia porque não podia mostrar. E ela sinceramente, tem cara de vodka e as mãos mais bonitas de Hollywood.
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E é por isso que amo todos eles, e é por isso que sinto ciúmes.
Ciúmes, ciúmes de você.


