Coisas que eu não disse ontem: depois que eu escrevi sobre o dia de ontem, coloquei o pijama e me deitei, me chamaram pra jantar. Eram oito horas, mas eu estava cansada. Bem, desci e fui jantar. Martin fez chicken curry e eu acho que todo mundo sabe que eu odeio comer frango, eu só como frango em ocasiões muito especiais, como: quando o pai do Pedro cozinha (sério, o Sr. Achilles é mil vezes melhor que o Jamie Oliver. E o melhor de comer a comida dele é que a gente ganha ele de brinde, o cara é o máximo), quando minha avó faz fricassê e quando eu ainda tô querendo agradar. O pior é que eu gostei, o frango não tava com gosto de frango, então não me senti muito culpada (eu comi um pedaço de um tamanho de uma borracha). Mas pois bem, a gente não jantou sentado na mesa e tal. Eu tava de pijama e um roupão (que a Conny me emprestou) por cima, todo mundo tava de moletom e nós comemos enquanto assistíamos "Two and a Half Men" em alemão. Foi um ótimo exercício pra mim, assistir TV.
Bem, vamos começar meu dia: hoje a aula começou só as 8:50, então eu acordei as 7:30 e tomei um banho demorado, arrumei meu quarto, minha bolsa, me arrumei e desci. Eram já 08:15 e eu achava que todo mundo estava me esperando, mas não. A Louisa se atrasou e tudo, saimos de casa muito tarde e ainda pegamos um caminhão de lixo na nossa frente. Eu já estava pensando no pior, perder aula e tudo, mas conseguimos chegar na hora que o sinal bateu. A aula foi boa e hoje eu tive aula de espanhol, o que foi maravilhoso e restaurou minha fé, porque foi a primeira aula que eu entendi. O professor também fala um alemão muito claro e foi muito bom pra mim. A aula de francês foi boa também, a professora me pediu pra desenhar le drapeau aux Brasil e eu desenhei, escrevendo as cores. Verde - ver - grün, amarelo - jaune - gelb, azul - bleu - blau. Ah, meu nariz sangrou de novo. Aliás, toda vez que eu assopro ele, ele sangra. É meio nojento.
Depois da aula, eu fui comer o famoso Dönner alemão. É uma comida turca e aqui tem muito disso, já que o Brasil dos japoneses é a Alemanha dos turcos. É como um sanduíche, cheio de coisa e com aquela carne de kebab, muito gorduroso, espero nunca mais comer (mesmo sendo gostoso), porque não me caiu muito bem. Voltei pra casa, fiz um pouco da minha tarefa e depois a Lisa saiu pro jogo de futebol que teve aqui hoje. Esperei até Conny chegar e me levar até a estação pra eu ir pro curso e foi isso mesmo que aconteceu. Peguei o U-Bahn S1 pra Oranienstrasse ou algo assim e fui até a Nordbahnhof, onde eu deveria ter pego o bonde pra Kartanienallee ou algo assim. Mas não, eu peguei o bonde errado e fui parar lá no cafundé de Berlim. Já liguei desesperada pra minha Gastmutter, mas nada de conexão. Então liguei pra minha mãe de verdade, berrando no meio dos alemães "MÃE TÔ PERDIDA O QUE EU FAÇO?". E sabe o que eu fiz? Voltei tudo. Andei até em casa, porque não consigo ligar pra ninguém daqui por nada e cheguei na porta da Möllerpfad 9. Sai de casa as 17:20, cheguei de volta as 19:50.
Bati na porta. Nada. Chutei a porta. Nada. Bati o cotovelo na porta. Nada. Toquei a campainha. Nada. "Ô mãe, mimim, eu cheguei em casa mas ninguém me atende mimimi tô pra fora no frio!" e fiquei no frio em pé e batendo na porta loucamente por mais 30 minutos, até que por sorte a Isabelle chegou e abriu a porta pra mim.
Pareceu que tudo foi embora quando entrei na casa, quentinha e senti cheiro de comida. Eu tava com frio, com fome e com sede. Tomei um copão de água, bem cheio (aqui eles só tomam água com gás, mas agora estão comprando a natural pra mim. Acredita que quando você pede água num bar ou sei lá, ela vem com gás e não natural? A água natural daqui é com gás. Eca), comi um mini hamburguer home-made e uma salada de cogumelos e de sobremesa uma salada de frutas com creme de leite. Ah, tudo bem. Ficar triste por quê? Agora tava tudo certo. Depois do jantar, li a Folha online e vi um pouco de TV. Hoje eu não tive vontade nenhuma de chorar.

