quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Diário de Viagem III

Coisas que eu não disse ontem: depois que eu escrevi sobre o dia de ontem, coloquei o pijama e me deitei, me chamaram pra jantar. Eram oito horas, mas eu estava cansada. Bem, desci e fui jantar. Martin fez chicken curry e eu acho que todo mundo sabe que eu odeio comer frango, eu só como frango em ocasiões muito especiais, como: quando o pai do Pedro cozinha (sério, o Sr. Achilles é mil vezes melhor que o Jamie Oliver. E o melhor de comer a comida dele é que a gente ganha ele de brinde, o cara é o máximo), quando minha avó faz fricassê e quando eu ainda tô querendo agradar. O pior é que eu gostei, o frango não tava com gosto de frango, então não me senti muito culpada (eu comi um pedaço de um tamanho de uma borracha). Mas pois bem, a gente não jantou sentado na mesa e tal. Eu tava de pijama e um roupão (que a Conny me emprestou) por cima, todo mundo tava de moletom e nós comemos enquanto assistíamos "Two and a Half Men" em alemão.  Foi um ótimo exercício pra mim, assistir TV.

Bem, vamos começar meu dia: hoje a aula começou só as 8:50, então eu acordei as 7:30 e tomei um banho demorado, arrumei meu quarto, minha bolsa, me arrumei e desci. Eram já 08:15 e eu achava que todo mundo estava me esperando, mas não. A Louisa se atrasou e tudo, saimos de casa muito tarde e ainda pegamos um caminhão de lixo na nossa frente. Eu já estava pensando no pior, perder aula e tudo, mas conseguimos chegar na hora que o sinal bateu. A aula foi boa e hoje eu tive aula de espanhol, o que foi maravilhoso e restaurou minha fé, porque foi a primeira aula que eu entendi. O professor também fala um alemão muito claro e foi muito bom pra mim. A aula de francês foi boa também, a professora me pediu pra desenhar le drapeau aux Brasil e eu desenhei, escrevendo as cores. Verde - ver - grün, amarelo - jaune - gelb, azul - bleu - blau. Ah, meu nariz sangrou de novo. Aliás, toda vez que eu assopro ele, ele sangra. É meio nojento.
Depois da aula, eu fui comer o famoso Dönner alemão. É uma comida turca e aqui tem muito disso, já que o Brasil dos japoneses é a Alemanha dos turcos.  É como um sanduíche, cheio de coisa e com aquela carne de kebab, muito gorduroso, espero nunca mais comer (mesmo sendo gostoso), porque não me caiu muito bem. Voltei pra casa, fiz um pouco da minha tarefa e depois a Lisa saiu pro jogo de futebol que teve aqui hoje. Esperei até Conny chegar e me levar até a estação pra eu ir pro curso e foi isso mesmo que aconteceu. Peguei o U-Bahn S1 pra Oranienstrasse ou algo assim e fui até a Nordbahnhof, onde eu deveria ter pego o bonde pra Kartanienallee ou algo assim. Mas não, eu peguei o bonde errado e fui parar lá no cafundé de Berlim. Já liguei desesperada pra minha Gastmutter, mas nada de conexão. Então liguei pra minha mãe de verdade, berrando no meio dos alemães "MÃE TÔ PERDIDA O QUE EU FAÇO?". E sabe o que eu fiz? Voltei tudo. Andei até em casa, porque não consigo ligar pra ninguém daqui por nada e cheguei na porta da Möllerpfad 9. Sai de casa as 17:20, cheguei de volta as 19:50. 
Bati na porta. Nada. Chutei a porta. Nada. Bati o cotovelo na porta. Nada. Toquei a campainha. Nada. "Ô mãe, mimim, eu cheguei em casa mas ninguém me atende mimimi tô pra fora no frio!" e fiquei no frio em pé e batendo na porta loucamente por mais 30 minutos, até que por sorte a Isabelle chegou e abriu a porta pra mim.
Pareceu que tudo foi embora quando entrei na casa, quentinha e senti cheiro de comida. Eu tava com frio, com fome e com sede. Tomei um copão de água, bem cheio (aqui eles só tomam água com gás, mas agora estão comprando a natural pra mim. Acredita que quando você pede água num bar ou sei lá, ela vem com gás e não natural? A água natural daqui é com gás. Eca), comi um mini hamburguer home-made e uma salada de cogumelos e de sobremesa uma salada de frutas com creme de leite. Ah, tudo bem. Ficar triste por quê? Agora tava tudo certo. Depois do jantar, li a Folha online e vi um pouco de TV. Hoje eu não tive vontade nenhuma de chorar.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Diário de Viagem II

Coisas que eu esqueci de dizer ontem:  
1 -  Falaram que eu parecia francesa duas vezes. Acho que era por causa do chapéu que eu estava usando. Mas minha professora de alemão disse que eu tenho um sotaque francês.
2 - Chutei a neve. Várias vezes.

Hoje foi um ótimo dia!  Fomos liberados mais cedo da escola e Louisa e uma amiga dela decidiram me levar pra uma tour. Vi o Potsdamer Platz, a Quadriga, os restos do Muro, o KaDeWe, uma cafeteria japonesa muito esquisita e andamos muito. Mas eu não estou bem hoje, não sei o porquê. Acho que tudo começou na aula de história, que é minha matéria preferida e eu não pude entender nada da aula que tive. A escola está muito difícil e hoje eu fiquei muito cansada. Tenho muita saudade de casa, mas não a nada que possa ser feito. Não vou cancelar o intercâmbio nem nada assim, estou frequentemente mudando de humor, então isso é um pouco normal pra mim. Estou sentindo que irei muito mal na escola e esse foi só o segundo dia. Quero saber quando as aulas terminam. Odeio escola. Ok, estou reclamando muito porque está muito difícil mesmo, me sinto um pouco fracassada, mas pelo menos aprendi a voltar pra casa com o metrô.
Um texto que começou com "hoje foi um ótimo dia!" vai decaindo tanto, não? Hoje foi um ótimo dia, até eu sentir essa saudade tão grande. Mal consigo ver o Pedro sem chorar. Nem pensar nele é fácil pra mim. Fico entre crescer pra morar com ele e ser jovem e livre com ele. Só queria ele perto, 10.000km por seis meses não vai ser fáceis. E essa escola difícil e essa língua difícil e esse frio solitário… É tudo muito diferente pra mim e me faz sentir muito vazia. Por isso resolvi dormir mais cedo hoje, vai ver isso ajuda no meu humor ou nessa minha dor nas costas que eu trouxe de São Paulo.
Sinto que a Alemanha é um país muito receptivo e as pessoas aqui são extremamente educadas. Hoje Lisa me surpreendeu. Estávamos no metro e um homem estava vendendo jornais. Ela olhou pra mim e abriu a bolsa, oferecendo-me um croissant. Eu não aceitei, achei que ela queria comer e eu também não estava com fome. Ela olhou para o homem que vendia o jornal e perguntou se ele queria. Ele, com as unhas sujas e amarelas, sorriu educadamente e disse "sim, muito obrigado". Foi uma coisa muito bonita, aqui as pessoas são muito corretas e polidas, é algo muito apreciável e interessante. Aqui eles me tratam muito bem. Aliás, Lisa acabou de entrar aqui e avisar que amanhã a escola começa as 8:50 e que eu posso acordar mais tarde. Eu não poderia ter uma irmã melhor por aqui. Adoro a Lisa. Bem, amanhã vou acordar as sete, gosto de tomar um banho antes e vou aproveitar que amanhã terei tempo e vou curtir um pouco a água quente. Vou também arrumar um pouco do meu quarto, tem muita roupa em cima da cadeirinha. Me sinto melhor. Escrever me faz muito bem. Vou passar algumas músicas pro meu celular para ouvi-las amanhã na ida para o curso de alemão. Acabei de perceber que tenho 4 horas de alemão semanais. Uau. E muita tarefa de casa. Mas tudo bem, isso é ótimo pra mim. Se eu soubesse falar alemão, a escola ia ser muito fácil. Tem muita pausa e muita aula "vaga" por assim dizer. Mas ainda assim é difícil pra mim. Ainda bem que eu vou ganhar alguma coisa com esse intercâmbio… Mas a única coisa que eu quero é o pescoço do meu namorado.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Diário de Viagem I - Virgínia Chega em Berlim

06/02/2012
Ok, já estou aqui há três dias. Não escrevi em nenhum dos três, mas a partir de hoje vou escrever como um exercício. Bem, exercício seria se fosse em alemão, então vai ser uma rotina.

No meu quarto não tem internet e eu moro no terceiro andar de uma pequena casa na rua Mollerpfad, em Berlim. Hoje é dia 6 de fevereiro de 2012, e agora é a época de neve. É, está nevando muito. Acho que hoje fez -20oC. Mas bem, meus primeiros dias foram tranquilos, cheguei aqui no sábado, depois de dois vôos muito cansativos e cheios de sonhos com o meu namorado, que ficou no Brasil; o dia estava nublado e branco e eu fui recebida no aeroporto por Cornélia, minha mãe de intercâmbio. De primeira olhada, já notei que ela é uma pessoa muito boa. Até agora não a vi brava, só cansada e desapontada. Cheguei e comi algo, depois chegaram das férias de ski, o Martin, a Louisa e a Isabelle. Louisa é quem mais me ajuda aqui, ela é muito educada e boa comigo. Uma adolescente normal, me ajudando em tudo que pode, sem uma beleza exuberante ou uma inteligência notável.
Hoje foi meu primeiro dia de aula na Rheigauschule e eu me apaixonei pelo prédio antigo e suas grandes janelas. Mas as aulas são um pouco difíceis, porque não compreendo tudo que falam. Já tenho testes marcados e sei que não irei bem.  Mas com o tempo vou melhorar, pelo menos na aula de espanhol e na de inglês eu tenho certeza que vou me sair um pouco melhor do que na de matemática ou física.
Eu queria poder falar do meu namorado aqui, mas não posso. Sinto muitas saudades dele.
Vou dormir, hoje foi um longo dia. Tive aula e curso de alemão por duas horas. Além disso, está um frio divino para me deleitar em sonhos. Guten nacht!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Crescer

  "Seu punho é do tamanho do seu coração". E assim ela fechou a mão e olhou-a, como era pequena para aquele corpo enorme que tinha, e como sua mão era diferente de como era antes. Ela quis se esconder e algo aconteceu dolorido, seu coração parecia que não tinha crescido enquanto seu corpo todo tomou um espaço no mundo maior do que ela desejara. Ela queria se esconder atrás das xícaras de chá de plástico e da casinha de boneca, queria vestir as roupinhas que já não serviam e queria bater os pés na lama.
  Arrastou o criado-mudo para frente da porta e se trancou. Agora que percebeu que seu quarto ficou inteiro preto e branco com as fotos das mulheres que ela aprendeu a admirar. "Não quero crescer mais" porém tudo estava perdido. As xícaras de chá desintegraram e as bonecas desapareceram. Ela ainda não havia descoberto quem ela teria de ser.


                                Era cheia de imaginação, coberta de luz. De sonhos, era vazia.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Coisa Mais Bonita Que Ganhei Esse Ano - Parte Dois

  Voltei pra casa meio desolada naquela terça, mas continuei minha vida normalmente. Desde que nos conhecemos, nos falávamos todos dias. Aliás, eu ficava praticamente vinte e quatro por sete online para falar com ele quando ele entrasse no MSN. A gente sempre conversou sobre muita coisa, sobre tudo: sobre filmes, livros, pessoas, lugares, aviões. Aviões eram um negócio importante, a gente sempre falava o quanto que viajava. Mas o mais importante e o que me chamava mais atenção era o tal roteiro dele, chamado "Davi e os Aviões". Não porque tinha aviões e nem porque eu tinha lido, já que não estava terminado, mas porque ele me disse que tinha refeito todo o roteiro depois de me conhecer.
  Não posso mentir: nunca quis ser amiga dele. E eu tinha um interesse imenso por ele, adorava ouvi-lo falar (o que é muito difícil, não deixo as pessoas falarem porque eu nunca, repito: NUNCA paro de falar). Ele as vezes me deixava nervosa, me corrigia e estava certo, sabia mais do que eu em música, filmes e conhecimentos gerais. Ele sabia de muita coisa que eu não sabia e eu estava aprendendo com ele.
  Já estávamos bem mais próximos e já tínhamos falado muito de si mesmo para o outro. Talvez algo tenha acontecido com o meu MSN, não me recordo, mas passamos a nos falar por skype e nos ver todos os dias. Eu fui gostando dele cada dia mais e mais. Eu pensava nele, e muito. O dia inteiro se voltava para a hora que ele voltaria da faculdade e falaria comigo. Trocávamos mensagens por celular. Passávamos o tempo inteiro juntos mesmo não sabendo disso. E mesmo quando não estávamos juntos, eu lia alguma coisa dele, eu assistia um filme que ele me havia recomendado só para ter assunto. Sempre querendo ser cada vez melhor por ele, ter mais em comum.
   Ele tomou outro avião para me ver e ele odeia aviões. Ele precisava me dizer algo pessoalmente.
   Não fui buscá-lo no aerporto, me lembro bem, ele veio para Botucatu de ônibus, quase não ficou em São Paulo: era sexta-feira, dia 2 de Setembro e eu tinha acabado de sair da minha aula de alemão. Ele usava uma blusa branca (ou cinza) e um casaco de couro lindo. Talvez um suéter por baixo dele. Eu (me lembro bem porque passei horas escolhendo a roupa), usava minha blusa do filme "O Iluminado", uma blusinha de lã preta, minha calça skinny preta e minha sapatilha vermelha.
  - O que você quer fazer? Ah, comprei isso pra você - entreguei-lhe um livro
  - Não sei, nada demais.
  - Então vou te levar pra um lugar que eu gosto muito.
  Eu o levei pro parque, o clima estava frio e mesmo assim aconchegante. Nós andamos por lá e conversamos. Sentamos em um tronco de árvore. Ele me abraçou e beijou meu pescoço e eu logo tentei beijar-lhe os lábios, mas ele recusou. Depois disso, eu o levei pra esquina da rua Magnólia com a Dália e sentamos embaixo de uma amoreira.
  - Vou te dar um beijo de "Acossado", e ele me beijou
  - Quer ser minha namorada?
  - Espera, o que você queria me dizer pessoalmente?
  - Que eu te amo.


  E foi assim que o meu ano de 2011 explodiu e virou o melhor que eu já vivi.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Coisa Mais Bonita Que Ganhei Esse Ano - Parte Um

  Esse ano, aaah, esse ano! Esse ano foi quase uma luta do Rocky Balboa. Comecei apanhando e apanhando horrores. Mas no fim, eu ganhei... ou pelo menos eu fui feliz com o final abraçando a Adrian e tudo (se é que vocês compreendem). O começo desse ano pra mim foi tão duro quando uma rocha ou um diamante. Tenebroso mesmo, extremamente difícil.
  Esse ano eu sai da casa dos meus pais e fui morar praticamente sozinha. O que eu fazia enquanto eu ficava sozinha em casa, além de estudar? Eu postava no blog. E esse blog nunca foi tão atualizado e minha agenda nunca foi tão preenchida como foi esse ano /não com compromissos, eu escrevo meu dia e meus pensamentos numa agenda que compro todo ano e não largo dela o ano inteiro... entendeu?. Mas pois bem, sair da casa dos pais é bem difícil; você tem que se virar em tempo integral e tem um milhão de responsabilidades novas e o pior de tudo era que eu não tinha carro: fazia tudo a pé mesmo. E eu não tive muita ajuda da minha irmã, já que ela estuda em período integral na faculdade dela. Ter que cuidar do dinheiro que você tem no banco, fazer as compras, a sua comida, cuidar da casa (coisa que eu não costumava fazer, mas isso não tem importância, certo?) etc.
  Além de tudo isso tinha a nova escola e os novos amigos, mas isso foi resolvido logo no primeiro dia de aula. Éramos os quatro idiotas: eu, a nerd que prestava atenção nas aulas e tirava nota alta (menos em matemática); a Ju, a menina bonitinha e loira, simplesmente fofa e simpática demais pra ser real, que agradava o dia de todo mundo; a Isa, a do pop, do tumblr e da moda, que sempre tava de rolo com todo mundo; e o Vini, claro! O Vinícius é o que eu converso mais, sabe tudo de jogos e tecnologia, sabe babado de todo mundo e não tem medo de falar toda a mais bela e pura verdade da vida dos outros pra mim. Mas todo o resto da sala sempre foi simpático comigo e tudo. Lógico que tem uns que eu não gostava muito, mas isso é normal. De resto, a escola foi ótima. Era a melhor parte do dia, tirando o horário que eu tinha que acordar (5:40am), o horário que a gente saia (12:50), as quatro apostilas grossas e os bolos de provas e simulados que tínhamos de duas em duas semanas.

  Mas é agora que eu vou começar a falar e quero que vocês ouçam bem:

  Em um belo sábado de manhã, eu tomei um ônibus e fui pra São Paulo. Lá, um menino que eu nunca tinha visto na vida me esperava com uma garrafa de água. Eu sabia dele apenas porque minha amiga de Boa Vista o conheceu nos seis meses que ela tinha morado no RS. A gente tinha se conversado por MSN apenas, e eu devia estar louca pra topar um absurdo desses. Mas eu acho que conheço São Paulo e a Bianca estava lá. Bem, qualquer coisa era só correr pra um policial na própria Barra Funda, tem de monte. Mas lá estava eu no ônibus, esperando algo que podia ser muito legal ou uma merda absurda acontecer.
 As três horas e meia de viagem Botucatu - São Paulo acabaram e eu não estava tão nervosa quanto eu achava que estaria. Desci do ônibus, apenas com a minha mochila, e esperei alguém parecido com ele me falar "oi, eu sou Pedro" ou "oi, como foi a viagem?", mas não tinha ninguém parecido com ele perto. Fui amarrar meu tênis, apoiando meu pé em uma cadeira e virando a bunda pro mundo quando alguém magro pula na minha frente e diz "tá aqui sua água". E essa foi a primeira coisa que eu ouvi dele. Abracei-o - adoro abraçar pessoas - e ele retribuiu quase me empurrando.
  - Ah, obrigada. - eu estava com muita sede mesmo, odeio água de ônibus e... bem, eu babei a viagem toda. Acho que esse é meu superpoder: dormir pesado em todos os meios de transporte que existem.
  - E aí, como foi a viagem? - e daí começou. Conversamos o fim da manhã e a tarde inteira sobre tudo. Bem, eu falei mais, já que eu sempre falo mais que todo mundo mesmo. Conversamos sobre São Paulo, sobre Botucatu, sobre shoppings, sobre filmes horríveis que a gente viu e filmes bons que vimos. Eu comi comida japonesa e ele comeu comida árabe. Fomos pra uma livraria e eu logo voltaria pra casa.
  Foi um dia maravilhoso e eu adorei aquele menino, mesmo não sabendo o porquê disso. Talvez porque ele tivesse um nariz grande, talvez porque ele fosse muito inteligente, talvez porque ele fosse tão educado.  Voltamos para a Barra Funda e eu parti, agradeci o dia maravilhoso e o DVD que ele me deu.
  A noite cheguei em casa, conversamos. Na segunda, conversamos. Na terça ele veio me ver.
  Terça a tarde ele chegou, almoçou alguma coisa horrível, viu a Catedral, viu os créditos de "Rocky, Um Lutador" comigo. Tomamos um café juntos, eu paguei. Ele me abraçou enquanto atravessávamos a rua e colocou a mão sobre a minha antes de falar "deixa que eu pago". Depois, voltamos para a rodoviária. Sentamos um do lado do outro e conversamos, uma hora ou meia sem parar, sem tirar os olhos um do outro e mais nada. Ele foi embora às dezoito e trinta da minha cidade e eu voltei com algo faltando pra casa.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

João Vitor (ou Victor)


 Eis que cheguei ao Cinema um pouquinho atrasada. Todas as meninas já tinham chegado e eu pulei na bilheteria gritando "MEIA PRO GATO DE BOTAS" e jogando uma nota de 20 reais pra pobre moça que estava me atendendo.
 - Oi, você vai ver "O Gato de Botas"? Meu nome é João Vitor - um menino de aproximadamente 10 anos me perguntou. Ele era bem menor que eu
 - Vou, aham. Moça, uma meia por favor. MEIA. Tá, eu vejo se tenho dez.
 - Eu pago seu ingresso se você quiser, você vai na sessão das 19:00?
 - Vou. - e de novo eu fui falar com a moça, aquele garotinho me atrapalhou - moça, é 2D? Não, sem problemas, obrigada. 
 - Você tem um rosto lindo. Você é muito bonita.
 - Err… - eu olhei o garotinho depois olhei pra cima, sem jeito - bem, obrigada. Quer que eu entre com você no cinema?
 - Sim, vamos sentar juntos?
 - (droga) Vamos.
 Entrei no cinema e o João Victor correu pra comprar pipoca "quer que eu compre uma pra você?". Aquele menino de 10 anos não tinha vergonha nenhuma de jogar charme em cima de uma menina mais velha, nenhuma nenhuma. Tanto é que, enquanto ele comprava a pipoca, uma amiga minha chegou pra ficar comigo enquanto nós esperávamos outra amiga. "Tem um menino jogando o maior charme em mim. Ele deve ter uns 10 anos, chama João Victor" e ele chegou bem quando eu disse o nome dele.
 - Olha Valentina, esse é o João Victor!
 Ele parou.
 - Você é linda… Você é muito, muito, muito, muito linda. - E ele estava certo. A Valentina tem um corpo esculpido e eu estava toda desarrumada enquanto ela estava lá, toda bonitinha - vocês duas são lindas! Posso sentar com vocês? Uma ruiva e uma morena… Uau.
 - É, só faltou a loira pra você, João.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Turbulência (e Seus Vários Sentidos)



 Anna tinha medo de aviões e naquele dia iria pra longe. Mesmo ela sabendo que são quase 100.000 vôos por dia e apenas 18.000 caíram em toda a história da aviação, ela não conseguia fechar os olhos em nenhum momento da viagem. Ela também não conseguia levantar da cadeira e ficava correndo os olhos pela janela e pelo teto do avião. Pensava em quem levava seu suspiro, quem que agora estava a 40.000 pés abaixo e vários quilômetros atrás dela. O que diabos ele deve estar fazendo ela não se importava, mas nessa hora, umas dez da manhã de um sábado, ele deve estar acordando e indo olhar o relógio, depois beber três goles da garrafa d'água que mantinha na geladeira, iria voltar pra cama, olhar o celular e veria que eram ainda dez horas... Voltaria a dormir.
 Davi tinha acordado as sete horas e sentado na cama. Olhou a janela por alguns minutos e depois colocou uns curtas de Chaplin que nunca tinha visto na sua pequena televisão. Eram de uma coleção que achou na sua escola há algum tempo atrás.  "Kid Auto Races In Venice",  "Making a Living" (o primeiro curta) e "His Favorite Pastime". Assistiu todos em uma hora e alguns minutos, depois pegou a garrafa de água da geladeira e bebeu-a quase inteira de uma vez. Tocou violão um pouco, mas não estava com vontade. Desceu da cama e deitou-se no chão, admirando o teto como se fosse um céu e não pensava em nada. O vazio passava por ele como um vento que poderia colori-lo de branco e deixa-lo tão neutro. Não tinha feito nada até agora e eram oito e meia apenas. Resolveu sair e correr, queria que esse sábado passasse logo e que ele fosse dormir em outro lugar essa noite.
 Anna, quando conseguiu pregar os olhos por alguns minutos, sentiu o avião mexer. Ele mexia com uma violência assustadora, mas só para Anna. As outras pessoas nem sentiam nada. Dormiam, liam ou ouviam música. Anna tremia. Parecia que a turbulência era só com ela, enquanto todo mundo estava em um vôo calmo e normal... Ela começou a bater os queixos, porque tinha ficado gelada, mas depois concentrou-se na voz da aeromoça cheia de sotaque português que dizia que logo iniciariam o serviço de bordo e hoje serviriam filé de frango ou peixe e variados sucos, refrigerantes e cervejas portuguesas. Pediu o filé de peixe, que mais parecia... Bem, era uma coisa bem feia. Mas pelo menos o suco estava ótimo. Comeu dois pedaços do peixe e as batatinhas, bebeu um copo de suco e depois pediu um café.
 Davi pediu um café na lancheria que sempre ia, depois de correr. Estava suado, mas pouco ofegante, pois tinha desacelerado a corrida em seu final. Pediu um café e um pedaço de bolo formigueiro. Já eram 10:12 e ele se perguntava como iam os vôos hoje, pois tinha visto vários aviões no céu enquanto corria. Será que hoje era alguma data especial ou iria acontecer alguma coisa? Voltou pra casa, ligou o computador e falou com uma velha amiga que morava em Portugal.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

100 Facts About Me

Pois é, resolvi fazer no blog. No twitter eu me perco, lol! Ok, shall we?

1 - Eu não tenho um lugar que eu chame de "casa", nunca morei mais de 10 anos no mesmo lugar
2 - Adoro comer pizza de manhã
3 - Não tomo refrigerante há 6 anos
4 - Não como carne há 2 anos, mas vou voltar agora
5 - Tenho esse blog há 3 anos e outro blog há 4 anos
6 - Tenho um total de 5 blogs
7 - Escrevo toda hora, levo sempre uma agenda comigo. Desses textos, só 20% vem pro blog
8 - Estou aprendendo a quarta língua, mas quero aprender mais de seis (pretendendo aprender francês, árabe, chinês, japonês, hindi, hebraico e russo) (é, essa sou eu)
9 - "não tô com sono, não quero dormir zzzzzzzzzzzz"
10 - Nasci as 6 da tarde, a hora que eu sempre tenho um sono dos infernos
11 - Gosto de dormir com sol na minha cara ou escuridão total
12 - Amo cozinhar
13 - Gosto de comer, mas cozinhar é mil vezes melhor
14 - Nunca gostei de ir pra escola, nem na alfabetização
15 - Já vomitei em uma professora HAHAHAHAHAHAHA
16 - Tenho um sotaque ridículo em todas as línguas que eu falo, inclusive português
17 - Odeio insetos, muito
18 - Tenho MOTEFOBIA
19 - Tenho medo de mar aberto
20 - Sou mega inocente
21 - Não consigo mentir, todo mundo percebe
22 - Nunca fiquei de recuperação
23 - Esse ano, tirei 10 em todas as provas de história
24 - Gosto de matemática, mas não entendo nada
25 - Adoro corrigir o erro de português dos outros, hihihih
26 - Odeio minhas pernas grossas mimimimi
27 - Odeio pouca gente, umas 10 pessoas no máximo. Mas eu odeio com muita força
28 - 2011 foi com certeza o melhor ano da minha vida (até agora)
29 - Daqui a pouco eu tenho prova de alemão
30 - Eu nunca estudo pra prova
31 - Sou carente 4ever
32 - Faço drama sempre que tenho a chance
33 - Sou ciumenta, mas odeio demonstrar isso
34 - Conheço a Bianca Quintella há 5 anos, e a amo muito
35 - Conheço a Fernanda e a Kari há 4 anos e as amo muito
36 - Vi os dois Beatles vivos
37 - Ouço Beatles desde sempre, minha mãe sempre gostou de Paul McCartney
38 - Ouço ABBA desde sempre, meu pai gosta muito (hmmm)
39 - Não consigo dirigir carro nem automático
40 - No me gusta Harry Potter
41 - Me gusta Senhor dos Anéis
42 - Nunca zerei nenhum jogo de SNES, Playstation, Wii, etc
43 - Matava todos os meus Tamagoshis porque eu NUNCA os alimentava
44 - Já tive vários animais de estimação: 2 gatos (Brad e Tima), 1 cachorro (Meg),  2 patos, 1 porquinho-da-índia (Pocahontas), 1 coelho (Afrodite),  3 betas (Amor I, Amor II e Príncipe) e 5 galinhas (algumas galinhas viraram frangos, mas tudo bem)
45 - Fico com muito calor ou com muito frio muito rápido
46 - Facilidade incrível de nunca fazer nada
47 - Adoro andar de avião
48 - Os melhores sonos que tenho são em carros ou ônibus ou na cama dos meus pais, ou de tarde.
49 - Quando eu estava tento aula, dormia 5 horas por noite apenas e nunca dormia a tarde
50 - Simplesmente adoro ler sobre religiões, todas me agradam bastante... Menos a católica.
51 - Adoro música-comédia, como Jon Lajoie, The Lonely Island e até mesmo "Um Joystick e um Violão"
52 - O único canal que eu assisto é o Cultura
53 - Assisto a série "Rocky" todos os meses (não todos os filmes, mas três, pelo menos)
54 - Adoro conhecer gente nova, ADORO
55 - Amo cinema e teatro, música e dança
56 - Gosto muito de jogar video-game, mas sou muito ruim
57 - Só ganhei 3 partidas de xadrez na minha vida, duas do José Hamilton e uma da Jennifer Johnson!
58 - Falo muito palavrão quando tô feliz, vai entender
59 - Fico em silêncio completo quando tô brava
60 - Na TPM tenho mudanças de humor e choro toda noite
61 - Já vi todos os filmes da Disney (de animação)... Todos.
62 - Adoro homem narigudo, baixinho, magrelo e de olho caído. Adoro.
63 - Adoro grama
64 - Odeio calor
65 - Odeio usar biquíni
66 - Odeio a May Pang e a Cynthia "Lennon"
67 - Sou shiksa
68 - Adoro dar conselhos, adoro me meter na vida dos outros ADORO!
69 - Adoro abraçar os pessoas que eu gosto
70 - A coisa que eu mais gostava de fazer quando eu morava em Boa Vista era ir no meu curso de inglês na Cultura
71 - Sonhava em casar com o Ash quando eu era criança
72 - Hoje eu nem cogito casar (mentira cogito sim)
73 - A Meg foi a primeira e única cadela que eu tive. Ela tem 15 anos.
74 - Sonho da minha vida é ser a minha irmã
75 - Eu choro feito um bebê assistindo Cinema Paradiso, Toy Story 3 e Enrolados
76 - Conto os dias pra qualquer coisa, tô contando os dias pra estréia de "Valente", o novo filme da Disney Pixar.
77 - Eu como tomate igual vocês comem maçã
78 - Como brócolis igual uma maluca, amo brócolis
79 - Não consigo ler revista nem livros com gravura
80 - Sou tão viciada em Rocky que já me matriculei em aulas de boxe, lol?
81 - Adoro gibis da Turma da Mônica
82 - Odeio restaurante a quilo
83 - Adoro fazer lanchinhos pra todo mundo, quer um lanchinho?
84 - Só tomo leite Levinho Desnatado enriquecido com ferro e vitaminas C, D e A
85 - Não gosto de comida árabe sem ser a que a minha mãe faz. Tabule, babaganoush, mjadra, bicharia, kibe assado etc? Só o lá de casa é bom.
86 - Tapioca eu só como se for só de manteiga ou de queijo
87 - Eu que apresentei Ah Negão e Le Ninja pro meu namorado. Ele nem sabia o que era um meme.
88 - Jack Nicholson, Sylvester Stallone e Sean Lennon são os 3 caras que têm meu coração
89 - Nunca usei dorrgas, nunca nem coloquei um cigarro normal na boca. Povo adora falar que eu uso uma maconha louca!
90 - Odeio relógio
91 - Não acredito em tempo
92 - Não acredito em Deus, desde 2006
93 - Não gosto de tomar água, sei lá porque
94 - Amo fazer os outros darem risada, acho que é a coisa que eu mais gosto de fazer
95 - Odeio açúcar em suco, odeio
96 - Chocolate? Só com 60% de cacau ou mais, odeio chocolate ao leite e chocolate branco só Confete
97 - Adoro carnaval, mas sempre durmo vendo os desfiles! Droga!
98 - Amo muito todos os meus amigos, juro. Amo mesmo.
99 - Eu... uso... papetes.
100 - Não sei andar de salto.

Prazer, meu nome é Virgínia.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Homem e Suas Luzes



Ele estava sentado na sala com todas as luzes apagadas enquanto bebia uma cerveja silenciosamente. Nada tinha acontecido essa semana, e o tempo estava nublado fazia alguns dias, o céu sempre cinza e o dia mais escuro que o normal. Então, era fim de tarde, estava tudo escuro lá fora e tudo escuro dentro do quarto. Mas o exterior não fazia diferença, já que o quarto não tinha janelas. Ele dera o último gole na cerveja morna antes de se levantar e acender todas as luzes do pequeno cômodo que estava. O abajur do lado da cama, a luz de parede, a lâmpada, a luminária de mesa e o outro abajur, de lava vermelha. Também acendeu a lanterna que possuía dentro do armário e fez o quarto todo de luz. Mirou a lâmpada principal que ficava no teto do seu quarto e logo via tudo roxeado. Piscou.
 Abriu a porta que dava para a sala e viu como ela se iluminou pela luz artificial que saia do quarto, olhou a janela de vidro e viu seu reflexo. Estava tão escuro lá fora. Ele acendeu então todas as luzes da sala e da sua cozinha nela embutida: as 2 lâmpadas principais de teto, a luz de tomada que tinha, seu sabre de luz verde, abriu o microondas, abriu a geladeira e acendeu as duas luminárias de parede que ficavam em cima da pia. Se olhou na janela de novo e agora tinha um grande espelho que refletia perfeitamente todas as sombras que essas luzes acesas faziam. Existiam sombras demais agora que estava tudo claro.